quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Estudo sobre a Figueira



(TRANSCRIÇÃO DE ESTUDO - AUTOR MENCIONADO NO FINAL)
 
"Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mt 24.32-35).

Além da oliveira, da videira e do espinheiro, a figueira é uma ilustração de Israel, do judaísmo. Essas quatro "árvores" são mencionadas em uma passagem de Juízes (9.8-15). Além delas, também a romã é uma representação do povo judeu. Certamente a passagem bíblica que exprime com maior precisão que a figueira é uma ilustração de Israel está em Oséias 9.10, onde Deus, o Senhor, diz: "Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como as primícias da figueira nova..." É o que também se vê claramente em Jeremias 24.3-7: "Então, me perguntou o Senhor: Que vês tu, Jeremias? Respondi: Figos; os figos muito bons e os muito ruins, que, de ruins que são, não se podem comer. A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Do modo por que vejo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá, que eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus. Porei sobre eles favoravelmente os olhos e os farei voltar para esta terra; edificá-los-ei e não os destruirei, plantá-los-ei e não os arrancarei. Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o Senhor; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração."

Além disso, a figueira contém um sentido profético muito profundo, o que se vê claramente nas palavras proféticas de Jesus quando fala da Sua vinda: "Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas" (Mt 24.32-33).

A seguir vamos analisar a figueira Israel à luz profética da Bíblia, perguntando-nos o que podemos aprender dela: "Aprendei, pois, a parábola da figueira..." Três simbolismos chamaram a minha atenção e quero compartilhá-los a seguir:

Primeira representação: a figueira como mestre que ensina o caminho certo, o caminho para a justiça verdadeira, legítima e permanente

Onde a figueira (Israel) aparece pela primeira vez na Bíblia?

Talvez alguns leitores dirão que encontramos em Gênesis 12 o chamamento de Abraão como primeiro hebreu, seguido pelo seu filho Isaque e pelo seu neto Jacó, cujo nome foi mudado por Deus para Israel em Gênesis 32.28: "Então disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste." É correto que o nome Israel aparece aqui pela primeira vez.
Mas eu creio que a figueira (Israel), na profundidade profética dos desígnios da salvação de Deus ("Aprendei, pois, a parábola da figueira..."), já aparece nas primeiras páginas da Bíblia, isto é, em Gênesis 3.7: "Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras e fizeram cintas para si." Segundo o meu entendimento, encontramos aqui a primeira menção de Israel como figueira na Bíblia, ou seja, o Israel da lei, que apenas pode cobrir o pecado.

Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden mencionada pelo nome. Para mim, a menção da figueira já nas primeiras páginas da Bíblia (ao lado de inúmeras outras árvores paradisíacas criadas por Deus, cujos nomes não são citados) é uma gloriosa figura da eleição de Israel: "...o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7.6).

Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden mencionada pelo nome.

Adão e Eva haviam pecado e, em consequência, reconheceram que estavam nus. Então eles apanharam folhas de figueira e cobriram sua nudez com essas folhas. Entretanto, assim eles somente puderam cobrir a sua culpa, mas não puderam obter o perdão do seu pecado. Para isso foi necessário um sacrifício de sangue: "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu" (Gn 3.21) Isso significa que Deus matou dois animais e, com sua pele, cobriu a nudez dos dois primeiros seres humanos. O sangue derramado nesse ato serviu para o perdão do pecado.

Portanto, já nas primeiras páginas da Bíblia é revelado profeticamente todo o Plano de Salvação. Ali ele ainda está envolto em mistério, mas no decorrer de outras revelações posteriores tornou-se cada vez mais nitidamente visível.

O que aprendemos disso?
1. As folhas da figueira apontam para uma outra salvação, que é melhor e mais perfeita

Em Hebreus 7.19 está escrito: ("...pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus." Mas quem é a esperança superior, acima da lei? O sacrifício providenciado por Deus em Jesus Cristo na cruz!

Segundo o meu entendimento, as cintas de folhas de figueira indicam a necessidade de uma vestimenta mais definitiva, que exigia um sacrifício com sangue, uma esperança superior. Depois que Adão e Eva pecaram, imediatamente souberam que estavam nus e que deviam cobrir-se: "...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si." Mas isso não foi suficiente diante do Deus santo. Por isso, cheio de misericórdia, Ele matou dois animais e "fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu."
Exatamente este é o sentido e a finalidade de Israel no Plano de Salvação. A figueira Israel, do começo até o fim, aponta para a salvação superior em Jesus Cristo, o Grande Sacrifício da Justiça de Deus. Em Israel nos foi dada a lei. Mas por meio dela reconhecemos que somos pecadores e carecemos da graça de Deus. Outrora Adão e Eva tomaram as folhas da figueira, mas perceberam que essas cintas feitas por eles mesmos não podiam salvá-los do pecado que haviam cometido e que necessitavam de outra salvação.

Quase toda a Epístola aos Hebreus mostra que o antigo Israel, em todos os seus procedimentos, é uma indicação para Cristo; que todos os seus sacrifícios apontam para o perfeito sacrifício de Jesus na cruz, e que o sumo sacerdote judeu da Antiga Aliança é uma referência ao Sumo Sacerdote verdadeiro, definitivo e eterno: Jesus Cristo.

A figueira Israel, do começo até o fim, aponta para a salvação superior em Jesus Cristo, o Grande Sacrifício da Justiça de Deus.

Israel sob a lei aponta para a graça (Gl 3.24). Em Israel, sob a lei, os pecados puderam ser apenas cobertos (folhas de figueira). Mas pelo sacrifício de Jesus, com sangue – que maravilhosa boa nova de salvação!! – os pecados são perdoados e tirados. A respeito lemos em Hebreus 9.26: "...Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado."

2. Pelas folhas da figueira vemos que as obras da lei não podem produzir a justiça que vale diante de Deus

Em nenhum lugar isso é demonstrado mais claramente do que na figueira Israel. Em todo o decurso da história desse povo, Deus mostrou a todo o mundo que a lei não pode salvar.

Mas justamente este é o grande problema de Israel até hoje, pois eles continuam pensando que podem ser salvos pelas obras da lei. A Bíblia, porém, ensina inequivocamente: "...por obras da lei, ninguém será justificado" (Gl 2.16). Em Gálatas 3.10 isso é expresso de maneira ainda mais precisa: "Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo da maldição..." O apóstolo Paulo dirigiu essas palavras profundamente sérias em primeiro lugar aos crentes na Galácia, que além da graça em Jesus Cristo ainda queriam assumir as leis do judaísmo. Como Adão e Eva ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si)", hoje muitos procuram alcançar o favor de Deus pela observância da lei ou de exercícios religiosos. Conheci, por exemplo, um homem que antes de se converter a Jesus orava o "Pai Nosso" 150 vezes por dia. Todos que fazem tais coisas se esforçam em vão, pois assim estão realmente "...debaixo da maldição". Diante disso, como soa maravilhosa a mensagem do sacrifício de Jesus na cruz: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito (Dt 21.23): maldito todo aquele que for pendurado em madeiro" (Gl 3.13) – "fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu." Ele realizou uma salvação superior!

Hans Brandenburg disse certa vez:

O legalismo é o equívoco de trocar o diagnóstico pela terapia... Legalismo sempre é algo pela metade. Em geral o homem escolhe um ponto especial que está disposto a observar e guardar, e então se apoia na pressuposta observância dessa lei e negligencia a comunhão com Jesus.

Exatamente assim também Paulo se expressa quando fala da figueira Israel: "Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus" (Rm 10.3-4).

Qual é a sua situação? Você já aceitou a graça? No fundo, é tudo tão simples: basta ir ao Senhor Jesus Cristo e Lhe entregar toda a nossa vida. Na verdade, este já é o passo do arrependimento, quando reconhecemos: "Eu sou um grande pecador". É impossível mencionar todos os pecados que cometemos em pensamentos, palavras e ações durante nossa vida. Por isso, venha a Jesus Cristo com toda a sua vida e diga a Ele: "Eu sou um grande pecador. Senhor, eu preciso de Ti para toda a minha vida – para tudo que houve, para tudo que é, e para tudo que virá. Eu te aceito agora como meu Salvador". Então você experimentará repentinamente o que é salvação verdadeira – pois esta é a justiça em Jesus, a justiça que tem valor diante de Deus!

Já nas primeiras páginas da Bíblia a figueira nos é mostrada como uma ilustração de Israel, como um livro didático de Deus ensinando sobre a salvação verdadeira. Assim como as folhas de figueira de Adão e Eva indicavam o anseio de salvação – e mais além o sacrifício pleno e suficiente de Jesus Cristo –, Israel nos é dado como um exemplo que aponta para a graça redentora. Por meio deste povo nos é mostrado claramente o anseio por salvação e a satisfação desse anseio em Jesus Cristo.


Segunda representação: a figueira como mestre que ensina sobre a salvação

Já nas primeiras páginas da Bíblia a figueira nos é mostrada como uma ilustração de Israel, como um livro didático de Deus ensinando sobre a salvação verdadeira.

Em 2 Reis 20.5-7 o Senhor diz ao Seu profeta Isaías: "Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde."

O que aprendemos disso?
1. A figueira Israel existe para salvação

Israel é como uma pasta de figos, como remédio para a humanidade, para todas as nações. Mas não é em si mesmo que este povo é salvação e bênção sobre a terra. Israel só pode ser uma ajuda para um mundo enfermo por causa dAquele que vem de Israel e se tornou o sacrifício para o mundo: Jesus Cristo. Este já foi o desígnio de salvação de Deus com Abraão, quando falou ao patriarca de Israel: "...em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gn 12.3b). Jesus é o Salvador do mundo, mas foi o judaísmo que o trouxe ao mundo. Essa é a única razão de ser do povo judeu, do qual o Eterno de Israel fez vir Seu Filho Jesus Cristo para salvação do mundo inteiro!

Os botânicos descrevem a figueira da seguinte maneira:

– "Tem tronco retorcido com casca clara". Em si mesmo, Israel é torto e rebelde, mas resplandece por meio de Jesus Cristo. Tive que pensar em Moisés, que em si mesmo também era "torto". Mas quando retornava do encontro com Deus, "a pele do seu rosto resplandecia" (Êx 34.29).

– "A ramada se estende em todas as direções e tem folhas com cinco pontas". Israel se tornou salvação para todos os povos. O Evangelho foi anunciado primeiramente em Jerusalém, Samaria e Judéia, mas depois, partindo de Israel (figueira), – para todas as direções, para todos os povos. Folhas com cinco pontas: cinco é o número da graça. Uma pasta de figos foi colocada sobre a parte enferma do corpo de Ezequias e ele foi curado. Jesus teve cinco ferimentos que se tornaram a salvação do mundo.

Em Isaías 49.3 está escrito: "...e me disse: Tu és o meu servo, és Israel, por quem hei de ser glorificado" (Is 49.3). Aqui vemos a identificação de Israel com seu Filho maior, Jesus Cristo. A figueira Israel, em conexão com Jesus, o Messias, tornou-se a salvação para o mundo. Por isso está escrito mais adiante: "Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra" (Is 49.6). Aqui a Palavra de Deus não se refere mais a Israel propriamente, mas Àquele que viria de Israel, a Jesus Cristo: "...pouco é o seres o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel..." Pois Israel não poderia restaurar a si mesmo, nem poderia tornar a trazer os remanescentes de si mesmo. E como a figueira Israel em si mesma é torta, resplandecendo somente em seu Messias, assim também é evidente que as palavras seguintes se referem ao Filho maior de Israel: "...também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra". Por isso Jesus disse em João 4.22b: "...a salvação vem dos judeus."

2. Profeticamente parece que já se delineia também a futura salvação de Israel – seu próprio restabelecimento se avizinha

Voltemos novamente para o rei Ezequias, que já estava diante da morte, mas em lágrimas implorou a cura ao Senhor. Deus ouviu sua oração e ordenou a Isaías: "Volta, e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde" (2 Rs 20.5-7).

Assim como Ezequias, também Israel ainda terá que enfrentar angústia mortal. Pois no tempo da Grande Tribulação todas as nações da terra se voltarão contra Israel e se reunirão em Armagedom para destruí-lo totalmente. Mas então esse povo, em agonia, como Ezequias outrora, clamará ao Senhor com suas últimas forças: "Deus de Abraão, Isaque e Jacó! Nosso Messias, vem e salva-nos dos nossos inimigos!" Ele ouvirá Seu povo e o salvará – Israel poderá ir ao templo novamente (pois Jesus levantará o templo do Milênio) – Ele derrotará os inimigos de Israel e protegerá a cidade de Jerusalém.

A história de Ezequias se encaixa no contexto das afirmações de Deus sobre o futuro de Israel e da vinda de Jesus. Assim talvez já possamos ver, na pasta de figos, por meio da qual a saúde de Ezequias foi restabelecida, um paralelo da figueira restabelecida em Mateus 24: "Aprendei, pois, a parábola da figueira..." E a declaração: "...no terceiro dia subirás à casa do Senhor", é no mínimo interessante. Pedro disse: "Há, todavia, uma cousa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2 Pe 3.8). Desde a primeira vinda de Jesus a Belém já se passaram quase dois mil anos (dois dias divinos). Não é em vão que após 1948 anos Deus fez de Israel novamente um povo na Terra Prometida, e no ano de 1967 lhe devolveu a cidade de Jerusalém. Será que Israel subirá novamente à casa do Senhor no "terceiro dia"? Não sabemos o momento exato da vinda de Jesus para a Sua Igreja, nem o dia da Sua volta para Seu povo Israel. Mas vemos e presenciamos em nossos dias a restauração da figueira: Israel é conduzido em direção à sua cura. E nosso Senhor prometeu expressamente: "Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mt 24.34-35).

Terceira representação: a figueira como mestre que ensina sobre os desígnios proféticos da salvação de Deus

Em Lucas 17.5-6 lemos: "Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá."

É preciso esclarecer que, conforme diversos autores, a árvore aqui chamada de amoreira é, na verdade, o sicômoro, a figueira brava, a mesma árvore em que Zaqueu subiu para ver Jesus (Lucas 19). Um dicionário da Bíblia diz a respeito: "O sicômoro pode atingir até 16 metros de altura e alcança uma circunferência de até 10 metros. A madeira é dura, uniforme e muito durável e, depois do cedro, é a melhor madeira para carpintaria."
 
Certa vez o Senhor Jesus apontou para esse fato ao dizer: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos" (Mt 21.43).

O Senhor Jesus apontou para uma árvore tão grande e disse aos seus apóstolos, que eram judeus: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá." Certamente podemos dizer que, no sentido profético, isso se cumpriu exatamente. Foi o que realmente aconteceu com a figueira Israel, que no tempo de Jesus havia se tornado um povo orgulhoso. Os israelitas foram desarraigados da sua pátria judaica e lançados no mar das nações. Este foi um desígnio de salvação de Deus e tornou-se uma bênção para os povos. Por meio da fé dos apóstolos, que eram judeus, descendendo eles mesmos da figueira, o Evangelho foi levado aos gentios.

A Bíblia fala em Atos 13.46-47 sobre essa transferência do Evangelho de Israel para as nações: "Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo determinou (Is 49.6): Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra." Ao desarraigamento espiritual de Israel seguiu-se, então, também o desarraigamento como nação: no ano 70 d.C. os judeus foram arrancados de sua terra e espalhados por todo o mundo.

Os apóstolos tiveram a fé para transplantar a bênção de Israel para o mar das nações. O Messias deles nos foi trazido como o Cristo. Certa vez o Senhor Jesus apontou para esse fato ao dizer: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos" (Mt 21.43).

O que parecia juízo – e, com certas reservas, também o foi – tornou-se uma bênção para os gentios. Paulo fala a respeito em suas palavras aos judeus, e assim explica que, de acordo com Isaías 49.6, isso foi necessário para se tornar salvação e luz para todos os gentios. Enquanto o sicômoro foi transplantado ao mar das nações, nós nos tornamos participantes da "bênção e seiva salvadora" da figueira. A esse respeito Paulo diz em Romanos 11.11: "Porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum; mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios..."
 
Mas Israel não continuará para sempre com suas raízes arrancadas. A palavra profética da Bíblia promete à figueira seu restabelecimento na terra dos pais – o que acontece desde 1948 e continuará acontecendo –, com o que também a bênção volta para a terra e para o povo de Israel.

Mas Israel não continuará para sempre com suas raízes arrancadas. A palavra profética da Bíblia promete à figueira seu restabelecimento na terra dos pais – o que acontece desde 1948 e continuará acontecendo –, com o que também a bênção volta para a terra e para o povo de Israel. A figueira novamente lançará raízes e trará frutos. Por isso Paulo continua dizendo: "Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!" (v. 12). Esse novo arraigamento da figueira Israel na sua terra para restauração espiritual e nacional também é salientado em Romanos 9.26: "e no lugar em que se lhes disse: Vós sois o meu povo; ali mesmo são chamados filhos do Deus vivo." De que lugar se fala aqui? Da terra de Israel!

Assim, finalmente tudo converge na gloriosa promessa de Miquéias 4.4: "Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse" (compare também Ageu 2.19). O sentar-se debaixo da videira e da figueira é uma maravilhosa imagem de uma vida em paz assegurada. Agora ainda não é assim, mas Israel será levado a isso – no Milênio de Jesus Cristo. Já o reinado de Salomão apontou para o Milênio, onde um dia reinará paz: "Judá e Israel habitavam confiados, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão" (1 Rs 4.25). Isso se cumprirá de maneira completa quando Jesus Cristo voltar ao Seu povo como o Messias de Israel. Por isso oramos: "Maranata – vem Senhor Jesus!" (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

A Figueira Seca - A Figueira Estéril

O episódio da figueira estéril que ficou totalmente seca, aconteceu após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

Em Marcos 11:12-24 vemos que Jesus voltou para Betânia. Na segunda-feira de manhã, o Mestre retorna com seus discípulos a Jerusalém.

Jesus vinha de um dia de intenso gasto de energias, a sua entrada em Jerusalém havia causado muita repercussão. Depois do cansaço e das emoções do dia anterior, no caminho de volta a cidade santa, o Mestre teve fome.

E à beira do caminho, a uma certa distância, uma figueira coberta de folhagens, de forma precoce, pois era primavera, chamava a atenção de Jesus. E o Mestre se aproxima desta figueira para ver se acharia algum figo e se alimentar, mas encontra somente folhas.

"E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome." Marcos 11:12
E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos." Marcos 11:13

Naturalmente, a figueira apresenta seus frutos bem antes de se cobrir de folhas. E em Jerusalém, os primeiros figos, também chamados de bêberas, só amadurecem após o mês de junho. E os figos de verão não amadurecem antes de agosto. Por isso Marcos afirma que não era tempo de colher figos.
Porém a folhagem exuberante que a figueira estéril apresentava, poderia ser um sinal de que a árvore estava em terra muito fértil, e de alguma forma pudesse ter já alguns frutos maduros.
Mas era pura aparência, a figueira estéril não possuía fruto algum.

A Figueira Seca Tinha Apenas Aparência

A figueira estéril tinha toda a aparência de uma árvore frutífera. Suas folhagens atraíam os desavisados, praticando assim um tipo de "farisaísmo vegetal". Tinha aparência de ter, mas não tinha. Parecia ser, mas não era.

E enganava, iludia, passava por algo que não era, que não possuía. O exterior estava lindo, cheia de folhas verdinhas, enquanto que as outras árvores, devido a estação do ano, estavam todas peladas, sem folhas alguma.

E Jesus agindo como se a figueira fosse um ser dotado de inteligência e vontade próprias, profere contra ela uma grave sentença:

"E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto." Marcos 11:14

Interessante que o Mestre, contra as outras figueiras, que estavam sem folhas e sem frutos, de nada reclama. As outras figueiras estavam sem frutos, porém apresentavam sua imagem verdadeira, sem querer se passar por algo que não eram. Estavam sem folhagens; quem as vissem saberiam que não encontrariam figos nelas.
Afinal, não era tempo de figos, não havia nada de errado em não apresentar frutos, pois não estava na época certa.

Por Não Apresentar Frutos, A Figueira Estéril Ficou Seca Até As Raízes. 

E no dia seguinte, na terça-feira os discípulos notam que a figueira estéril tinha se tornado em figueira seca, desde as suas raízes.

"E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes." Marcos 11:20
"E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou." Marcos 11:21
E esta maldição contra a figueira seca, sem dúvida tem uma simbologia semelhante a de uma parábola. A nação judaica apesar de contar com tantos favores divinos através dos séculos, tantos milagres e livramentos.

Apresentava sob sua cultura, uma aparência religiosa e superficial, mas infelizmente, desprovida de frutos de arrependimento. E Jesus, o supremo agricultor anuncia que usará o machado para cortá-la.
Não adianta parecer santo, como os fariseus e os religiosos de Israel faziam. Eles queriam ser vistos pelos homens como melhores, mais justos, mais adoradores, que oravam mais, que jejuavam mais, que se sacrificavam mais.

Até suas vestes eram "melhores", só andavam em companhia dos "mais santos". Viviam em busca da aparência, do louvor dos homens; suas folhagens estavam "verdinhas", muito exuberantes.
Mas neles nunca se encontravam os frutos do amor, do perdão e da misericórdia. Só acreditavam em sacrifícios e punições.

O que no final, terminava tudo no "EU". "Eu" jejuei; "Eu" orei; "Eu" sacrifiquei; "Eu" sou santo, então "Eu mereço".

Por não reconhecerem seus pecados, o fruto do arrependimento, estavam sendo rejeitados por Deus. Por que as obras tem que ser feitas em amor.

Fruto Certo no Tempo Certo

Ninguém pode enganar a Deus. O homem é que se engana a si mesmo. Deus conhece o coração humano, Ele sabe das suas intenções. Não se pode viver de aparências. Temos que "ser" em essência.

Para tudo há um tempo determinado. O erro da figueira seca, não foi estar desprovida de frutos, pois não era tempo de dar frutos naquele momento. Mas o problema foi querer ser mais, ou parecer ser mais do que as outras figueiras, sem ser.

Somos todos filhos do nosso Pai celeste, somos iguais. E se nos submetermos em amor às águas do Espírito Santo, em igualdade, em irmandade, Ele o nosso agricultor, cuidará de nós, para que no tempo certo, apresentemos nossos frutos de amor.

No tempo certo, de tempos em tempos, frutificai.
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." Gálatas 5:22

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A autoajuda que vem do Céu

"Examine, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem." (1Co.11:28-30)

Pare um momento e se olhe no espelho. Faça uma autoanálise e perceba para onde seus atos e pensamentos estão te guiando. Muitas vezes vamos nos ver diante de uma situação em que devemos apelar para o bom senso (aquela faculdade de discernir entre verdadeiro e falso). Inúmeras vezes nós já aplicamos nossa razão para julgar um caminho a ser seguido e isso certamente nos trouxe algum tipo de consequência. Se não somos marionetes nas mãos de um operador, significa que temos o poder de decisão. Mas esse livre arbítrio é perigoso e, de tempos em tempos, o homem deve parar para refletir se o que faz, o faz baseado em seu impulso animal ou porque é dotado da capacidade de aprender a ser melhor a cada tentativa.

Cuidado com os conselhos! As pessoas vão te mandar seguir o coração (aquele lado emocional formatado por este mundo e que está sempre tentando trazer satisfação), só que o coração é cheio de promessas de contentamento e ideais egoístas. Segui-lo, então, deixa de ser uma alternativa sábia. Em todas as situações, portanto, pensemos em primeiro lugar se a paz de Cristo está sendo determinante em nossas decisões e atitudes.

Assim como no Direito, onde toda lei tem um espírito (finalidade), na Lei do Amor nada foi estabelecido por um capricho divino, onde a criatura obedece sem conhecer a motivação do Criador. Absolutamente, não! E é por isso, fundamentalmente isso, que o homem tem sede de Deus. Por causa desse grande mistério chamado vida, no qual estamos fincados. Entretanto, não é por causa dessa regalia toda de ser adotado e de poder contar com o favor do Pai, que o indivíduo tem a garantia de passar batido ao erro. Também não! O pecado, como acidente de percurso, sempre será perdoado mediante o arrependimento genuíno. Já o pecado deliberado, ou seja, consciente e planejado, como quem crê num anonimato improvável ou aposta numa mão salvadora no final, independente das advertências, não raramente acompanhado de uma capa de pureza e insistentemente crido como impune, a este foi dado o nome de hipocrisia. Para este miserável pecador, só mesmo um choque de ordem celestial, regado ao Sangue de Jesus para purificá-lo de toda a injustiça. Graças a Deus, nosso Pai, que enviou Seu Filho Amado, em quem temos a redenção dos pecados (TODOS OS PECADOS). Sem Ele já teríamos sido extintos desse mundo hostil, banidos à própria sorte, largados num vale de ossos secos.

Feliz Natal

sábado, 27 de julho de 2013

O Cristo é Pop

Sim, ele chegou. Arrastou multidões, promoveu a idolatria, deixou sua mensagem. Era preciso, afinal de contas, já faz um tempo que as ideias que ele defende estavam caindo no esquecimento de muitos.

Mas aí veio o grande e épico momento: a encenação! Quase perfeita. Levaram a cruz, mas se esqueceram do Crucificado. Ele morreu, disseram, mas no final, não houve tempo para ressuscitá-Lo... não... tinha uma senhora.

Ele chegou, discursou de acordo com o script previamente estudado. Comoveu a todos os que estavam atentos. Todos buscam a verdade, mas a verdade não foi contada de um todo. Sempre há um contexto fora do texto. Não gostam do livro...

Ele está aí, agradando a maioria, levando aos prantos aqueles que nunca adoram. Todos gostam dele, ele é um sucesso!

Ele se vai amanhã... o que ficará? Levará consigo a fé dos romeiros? Mudará o rumo da história? Criará um novo e vivo caminho? Sabemos que não.

Não se engane. Tocar no homem é mais fácil do que atingir o Deus. O toque divino exige mudanças, transformações, meias-voltas. É necessário um auto-exame e um recomeço constante para não errar o alvo. Deus é exclusivista e tem ciúmes. Gosta dos que andam em sinceridade de coração e que amam tudo aquilo que Ele ama.

Quando Ele voltar (e não tarda), não precisará de helicópteros, nem carros, nem ensaios. Virá anunciado por trombetas, rasgará o céu de um lado a outro e julgará toda obra do homem.

Oro sinceramente para que os jovens, quando se decepcionarem com o dia de amanhã (e é certo que irão) e não tiverem mais seu pop star desfilando pelas ruas, não desistam de buscar. Antes, porém, que busquem a Quem de direito merece toda devoção, toda adoração, todo esforço de deslocamento. Que os jovens desse mundão se arrependam e mudem suas mentes. Que finalmente entendam que só há um caminho, uma verdade e uma vida, e esse é Jesus.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O agir da espera


“Esperei com paciência no Senhor, e Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor. Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR. ” (Sl. 40:1-3)

Onde estaria Davi quando compôs este salmo? Onde (ou o que) seria esse charco de lodo, esse lago horrível? Que situação extrema poderia ser chamada dessa forma na vida de um homem? Sempre que leio essa passagem, fico tentando encaixar a minha realidade (com suas mazelas e lutas) nesse tal lago tenebroso que o salmista ilustra.

Creio, irrefutavelmente, que Deus é poderoso para nos tirar de qualquer situação difícil. Aliás, acho que poucos duvidam disso. A questão aqui não é a capacidade de Deus agir em nosso favor, nem tampouco a natureza podre e aparentemente sem solução da circunstância que nos cerca. A chave do sucesso, que nos eleva à condição de firmar nossos pés sobre a rocha, é a nossa disposição para esperar. Não como quem não faz nada e simplesmente cruza os braços sem esboçar nenhuma atitude. Mas como quem sabe em quem confia, como quem luta por algo, como quem quer verdadeiramente alcançar sua promessa.

O dicionário Houaiss traz algumas explanações sobre o verbo esperar: ter esperança, contar com, confiar em, não agir, não tomar decisões, não desistir de algo, não ir embora...

Será que diante de uma situação de calamidade nós sabemos esperar pela providência divina? Quanto tempo estamos dispostos a, pacientemente, aguardar que Deus decida nos ajudar? Podemos garantir que não iremos tentar contornar o obstáculo com nossos próprios recursos? O que dizer da nossa lei das compensações, através da qual nos julgamos merecedores de certos prazeres momentâneos que aplaquem nossa ansiedade? Temos fé suficiente para louvarmos o nome de Jesus sem nem ao menos vislumbrar uma pequena nuvem?

A carta de Paulo aos romanos, em seu capítulo 5:3-5 diz: “... gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta...”

A palavra tribulação, traduzida do grego thlipsis, é a mesma que Jesus profere em Jo. 16:33b: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”

Segundo a concordância bíblica de Strong, a palavra thlipsis pode denotar, entre outras coisas: tribulação, aflição, opressão, perigo, sofrimento, agonia, problema financeiro, necessidade, apuro, dilema, perseguição.

Ora, a tribulação a que Paulo se refere pode muito bem ser vista como famoso lago horrível de Davi. Um lugar de opressão, apuro, sofrimento. Uma situação limite da qual o homem sozinho não consegue se livrar. Um lugar onde se tem apenas duas alternativas: se debater em meio ao pânico ou esperar por socorro. Sendo assim, seguindo a ordem do apóstolo, percebemos que as aflições da vida nos levam à perseverança, que por sua vez nos tornam experientes, culminando com um coração esperançoso. Esperança esta que não desaponta. Logo, é dentro do lago que aprendemos a esperar.

Se formos parar para pensar, vamos ver que o oposto da espera, isto é, tudo aquilo que nos afasta da realização de algo que se quer ou precisa, tudo que nos tira a confiança, tudo que nos rouba a expectativa, nos prende ao lamaçal da alma. O oposto da espera é o desespero. Quem não espera, se desespera. Mata a esperança, mata a confiança, desanima, perde a fé e se entrega à aflição. Quanto mais nos debatemos em desespero, mais nos afundamos na areia movediça.

Jesus já nos disse que em nossas vidas teríamos thlipsis, ou seja, nos desesperaríamos. Talvez até pensássemos que não tinha mais jeito. Que era para ser assim, pois nascemos para viver desta forma, sujos de lodo, mudos para o louvor de Deus, irrecuperáveis diante o dia mau. Mas o Mestre nos ensina que devemos encontrar bom ânimo e esperarmos Nele. Ele venceu o mundo. Ele é vitorioso. Ele é merecedor e capaz de nos içar do fundo do poço, donde só Deus é capaz de ouvir nosso clamor. Lá dentro, no escuro da tristeza, devemos continuar acreditando na promessa do Pai: “Eu é que sei que pensamentos que tenho a vosso respeito. Pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”.

A espera pelo milagre passa pela atitude de crer. Crer é agir, é não desistir, é ter por certo algo que não se vê mesmo sob circunstância desfavorável. Como quem se atola num lamaçal de problemas, mas que não se entrega nem se debate. Antes, porém, toma a decisão de invocar a providência que vem do alto e aguardar seguro sobre a rocha da fé.

Paz

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Grisalhos


Hoje eu completo 40 anos de idade. Pra mim (e pra muitos também) é uma data emblemática, pois marca uma época na vida de qualquer um. Tempo de refletir, analisar, fazer um balanço da vida e ver, não somente em que pé ela está, mas, principalmente, o que vai querer fazer com “a segunda metade” do que restou dela.

Confesso que me tornei um tanto nostálgico nesses dias. Comecei a investigar um pouco o passado e, por um golpe do acaso, me lembrei de alguns planos que fiz aos meus 20 anos. Admito que isso mexeu um pouco comigo. Não se passa impune ao revirar os recônditos esquecidos das nossas lembranças. Muita coisa vem à tona, nos lembramos de onde viemos, o que planejávamos ser e com quem andávamos. Nem sei por que estou pensando nisso agora. Talvez para comparar o rapaz agitado que achava que sabia demais com o “jovem senhor”, pai de filhas, que sabe menos a cada dia. Como bem disse Will Durant, “a educação é a descoberta progressiva da nossa ignorância”. Graças a Deus, o passar dos anos não frutificou os planos que fiz. Tenho certeza de que o jovem esportista, que dizia que nunca iria se casar e que estaria rico no futuro, iria ficar fulo da vida com o crente, família e seus toques grisalhos, cada dia mais evidentes, que ele se tornou.

O legal disso tudo é que me senti orgulhoso do planejamento infrutífero. Ri sozinho da minha incapacidade de decidir meu o futuro naquela ocasião e, melhor ainda, hoje me encontro muito mais motivado a fazer planos, por mais que o tempo não jogue a meu favor.

Chego aqui cheio de falhas, eu sei. Reconheço minhas inúmeras limitações, mas minha alma se alegra mais e mais a cada dia com o potencial de evolução que ainda tenho pela frente.

A caminhada é longa, herdei algumas rugas do tempo, um ar de desconfiança teima em rondar meus pensamentos, mas meu entusiasmo é ainda maior hoje! A palavra entusiasmo (do grego en + theos, ou seja em Deus) ilustra perfeitamente o momento que vivo. E eu me recuso a renunciá-lo, mesmo que isso possa parecer que estou em crise.

Aos 40 anos, entretanto, você é bombardeado de informações de alerta (e a essa altura, talvez eu não saiba definir se esse ataque vem de fora ou se é normal se sentir assim). Pra começar, suas visitas ao médico se tornam mais frequentes, não que você esteja doente, mas como diria a nossa avó, “seguro morreu de velho”. Seus colegas de serviço mais novos passam a te chamar de senhor, você começa a ter pouca disposição para ficar até altas horas da madrugada acordado, qualquer excesso de comida deixa de ser absorvido generosamente pelo organismo e passa a habitar uma zona equatorial do seu corpo, sua paciência tem curta duração.

Por outro lado, nem tudo são espinhos. Um certo charme e elegância tomam o lugar da agitação. Você passa a conhecer lugares bacanas (até porque já viajou bastante). Provavelmente fala mais de um idioma, é bom conhecedor de vinhos e culinária. Já fez e consolidou excelentes amizades e sabe que poderá contar com elas para toda sua vida. Seus pais começam a te pedir conselhos. O envelhecimento tem lá suas compensações.

Olhando com romantismo para essa jornada, percebo o quanto Deus é justo conosco. Primeiro porque Ele nos dá toda oportunidade de acertarmos as contas aqui em vida. Além disso, nos dá também todos os elementos necessários para seguirmos o caminho.

Aprendi que a gente deve compartilhar o que é bom. Multiplicar o bem nos torna mais humanos e menos parecidos com pedras. E nessa visão de fazer o bem sem olhar a quem, se eu puder contribuir nem que seja por um instante, gostaria de registrar aqui aquilo que aprendi até hoje com esse pouco espaço de tempo nessa vida.

Leia! Acostume-se ao saber. Não há preço para a liberdade. E não há liberdade maior do que conhecer a verdade. Busque o conhecimento, mas não faça isso como quem espera o produto final. Curta o caminho, delicie-se com cada pitada de conhecimento que adquire.

Aprenda a ouvir. Acostume seu ouvido para ouvir, não para escutar. Pode parecer meio óbvio isso, mas muitas vezes não queremos dar ouvidos aos outros. Use-o para assimilar a maior quantidade possível de informações. Retenha aquilo que te exorta, edifica e consola. E que tudo o mais saia pelo outro lado.

Ande com quem te impulsiona a crescer. Mesmo sendo longa, a caminhada é rápida e cansativa demais para se gastar tempo com gente mesquinha, de coração duro, cujos deuses são seus próprios ventres. Afaste-se de quem te leva a pecar e a trair a justiça.

Seja prudente ao tomar decisões. Pense como numa jornada em que todo o lixo jogado inadvertidamente irá parar em você mesmo. Guarde o seu coração. Ele influencia seus pensamentos. Pensamentos viram palavras. Cuidado com as palavras que usa, somos regidos por um governo fundamentado nelas. A palavra lançada se transforma em ações, que por sua vez se tornam hábitos. Mude seus hábitos. A monotonia é a ferrugem da alma.

Não guarde mágoas. Essas invenções malignas de reservar um espaço precioso de nossa mente para carregarmos essas frustrações só nos envelhecem e nos tornam chatos. Aprenda a perdoar (e a pedir perdão). Transforme-se pela renovação do seu modo de pensar. Tome a iniciativa de se libertar desse peso.

Creia! Aceite ser dependente e não auto-suficiente. Reconheça seus erros. Não insista num caminho que obviamente vai te levar a um lugar de ruína. Cedo ou tarde (melhor que seja cedo) você terá que percorrer tudo de volta para recomeçar do ponto onde se distanciou da verdade. O Caminho é um só!

Semeie! Saiba que a semeadura é opcional, mas a colheita não, ela é obrigatória. Só se colhe aquilo que plantou. Tenha paciência de esperar a época certa de colher. Não fique espiando todo o tempo para ver se já é hora de colher. Tudo tem o seu tempo determinado. E não desista da colheita. A princípio, um broto não se parece com o fruto sonhado, mas como tudo o que há debaixo do sol, há um processo em andamento, em você, em seus planos e também na sua colheita. Saiba esperar.

Plante amor. É o dom mais precioso que Deus nos deu. Lembre-se de que Ele nos amou primeiro quando éramos pecadores. Essa é a verdade do amor, não se espera nada em troca. Cultive isso e amontoará para si um tesouro eterno de glória.

Ame! Não tenha medo de amar. Não passe por essa vida sem experimentar esse derramar de amor por alguém. Não resista quando ouvir aquela voz que estremece todo o seu ser. Louco é quem nunca amou. Entregue-se. Não seja frio como o metal que soa ao ser batido ou o címbalo que retine mediante um estímulo. Não espere o amanhã. Hoje é o melhor que se consegue e o amanhã está destinado ao mistério.

Se você me perguntar se eu segui tudo isso aí acima, honestamente te respondo que não. E justamente por isso, infelizmente, ainda estou colhendo muitos frutos amargos devido às escolhas que fiz lá atrás. Mas eu sigo para frente, olhando para o Alto.

Agradeço a Ele por ter me escolhido e me levantado. Por ter me feito no ventre de Dona Ana, por ter me possibilitado conhecer Natália, mulher que eu amo, por ter me dado três lindas filhas princesas, Luisa, Gabriela e Mirela, e por todos os grandes amigos que fiz.

Se você leu tudo isso é por que me valeu a pena ter acordado cedo nessa manhã. Saiba que junto a este texto há uma oração fervorosa ao Senhor para que Ele te abençoe. Que eu e você possamos cantar novas canções a cada dia, contemplando o que há de mais belo e perfeito nesse mundo: o Amor.

Um beijo carinhoso pra você.