quarta-feira, 15 de julho de 2015

A inquietante e cansativa ansiedade da alma



                                   (texto escrito em abril / 2015)

"Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?
Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? "Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.
Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo:  ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber? ’ ou ‘que vamos vestir? ’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.
Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas
Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal". (Mt.6:25-34)



Que agitação é essa que faz o indivíduo correr atrás de si mesmo, buscando em primeiro lugar o reino dos homens, como quem almeja todas as demais coisas, na expectativa de parecer útil ao Senhor e atuante diante dos homens, para enfim merecer o acréscimo do Reino de Deus? Como nomear esse transtorno emocional que assola a todos, sem distinção, ao ponto de motivar Jesus a deixar registrado todo um ensinamento, em meio a tantos outros assuntos de igual ou maior importância? Por que nos afligimos tanto diante da incapacidade de resolver hoje, o amanhã? A ansiedade e seus “mods” contemporâneos é um tema bastante discutido e de certa forma incompreendido também, principalmente nos dias atuais, onde o tempo anda escasso e a vontade de fazer o dobro das coisas nos parece dizer que 24h são insuficientes para tanta vida corrida.

Ora, "de que adianta ao homem ganhar o mundo e perder sua própria alma"? Essa pergunta nos é feita todas as vezes que imaginamos que a performance externa deve prevalecer. Porque quando achamos que precisamos de um monte de afazeres, que muitas vezes servem apenas para nos sentirmos mais confortáveis quando nos reunimos, Jesus nos lembra que não estamos cogitando as coisas de Deus, mas as dos homens. E acrescenta: "quer seguir a Mim? negue-se, tome sua cruz e siga-Me".

Mas confundimos esse negar com penitência e a cruz com fardo a ser carregado. Pode parecer estranho, mas muitos de nós acreditamos que estamos realmente fazendo alguma coisa para Deus quando, por exemplo, cuidamos do templo ou cantamos a plenos pulmões os nossos cânticos preferidos.

É curioso isso. Mas um olhar um pouco mais atento percebe a nossa insignificância diante das supostas necessidades do Criador. Pensemos no Universo e todo seu equilíbrio gravitacional, ou no nascimento de estrelas colossalmente maiores do que o nosso Sol ou até mesmo na formação de um DNA que carrega toda a informação necessária para a formação de um ser vivo. Agora paremos e raciocinemos: seria uma canção, feita por mentes terrenas e gritada uma vez por semana, o louvor que Deus espera? Sério mesmo que todo o Universo já não O enaltece mais do que todas as músicas evangélicas do mundo?

"Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.” (Lc.19.40)

O que dizer então do nosso desempenho na tarefa de "ganhar vidas para Jesus"? Julgamos o muito falar como sendo o principal. Usamos e abusamos dos jargões batidos e vazios, como quem simplesmente entrega uma mensagem, mas se esquece de vivê-la com intensidade. Nos enxergamos como parte de uma engrenagem gigantesca e nos julgamos fundamentais nessa empreitada universal. Nos preocupamos única e exclusivamente com o vestido da noiva, mas deixamos para amanhã o caráter e a doçura. Pregamos o amor de Deus, mas não perdoamos o próximo. Vestimos as melhores roupas no domingo, mas andamos nus e malcheirosos com nosso testemunho de vida do lado de fora da congregação. Vivemos de dia ao redor do nosso umbigo e sonhamos a noite com a prosperidade da vida.
“Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.” (Ec.1.2)

Cada panfleto, cada palavra dada, cada gesto de amor é um cuidado a mais no deserto dos homens. Pois quando uma alma se rende a Cristo, ela o faz porque se rendeu ao somatório dos esforços de todos os que, um dia, araram, cultivaram e regaram aquela terra seca. Não é o último (aquele que fez o apelo, como se acredita) que ganha alguém para Deus, mas Deus mesmo ganha todas as coisas e é Dono de tudo, Soberano do tempo de cada um, apesar de nos dar a liberdade de decidir. Ele é Quem domina, gerencia e preserva todas as coisas, ao ponto de confiar a nós a tarefa de evangelizar, algo que certamente Ele faria, muito melhor do que nós mesmos, como já o fez ao longo da nossa existência.






Vivemos e repetimos tudo isso porque não cremos verdadeiramente no amor. Porque se crêssemos, viveríamos a verdadeira religião de amparar os órfãos e as viúvas em suas tribulações. Se percebêssemos a seriedade do perdão de Deus, andaríamos como Ele andou, submissos à Sua vontade e não cheios de nossa arrogância e julgamentos vazios. Se estivéssemos de verdade conectados com o que vem do Alto, não nos lembraríamos apenas que é de lá que vem o nosso socorro, mas que há um só Deus que ama a todos, sem distinção. Se nos arrependêssemos genuinamente, não viveríamos subindo montes e participando das campanhas de libertação, mas olharíamos para o velho homem com desprezo e sem medo de recaídas. E se passássemos a nos comportar como filhos diante Daquele que chamamos de Pai, de fato vivenciaríamos a intimidade familiar e não toda essa cerimônia, transvestida de reverência. 


Alguns traziam crianças a Jesus para que ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam.
Quando Jesus viu isso, ficou indignado e lhes disse: "Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele".(Mc.10:13-15)
 


Ao invés disso, preferimos os discursos de ódio e invocamos a “descida do fogo”, que jamais cairá do Céu para derrubar nossos inimigos, pois seres humanos que nos traem, caluniam, roubam e nos magoam, são carentes, assim como nós, da Graça de Deus, e não de um raio que os destruam. Infelizmente, chegamos diante do altar de Deus com as mãos cheias de pedras, prontas para atirar e, repetidamente, precisamos ouvir de Sua boca o mesmo discurso que nos libera a atirar a primeira pedra quando não tivermos nenhum pecado.

E nos perguntamos para onde vai o mundo? Ora, Deus nos deu o direito de escolher e nos advertiu que iríamos de mal a pior, como estamos indo. Mesmo assim, a mensagem de esperança e retidão continua sendo pregada. Em meio a tanta sujeira e desolação, eis que Ele nos lembra que tem conservado uns tantos; todo joelho que não se curvou diante do sistema, e toda boca que não beijou o modelo mundano.

O que dizer da correria despropositada daqueles que foram chamados para cuidar da casa de Deus? Que loucura é essa que nos adoece e nos faz entristecer uns com os outros, gerando toda sorte de especulação maldosa e desentendimento com os irmãos? Por que tantas indiretas e julgamentos pré-formatados acerca de comportamentos geográficos, culturais e sociais das congregações A ou B? Por que tanta ênfase é dada a artistas e pregadores que cobram por shows de música ou palestras teológicas, sob a justificativa de pregar a Palavra de Deus? Acaso não estão fazendo distinção entre os que podem e não podem pagar para receber aquilo que Deus distribuiu em forma de talentos a alguns dos Seus?

Infelizmente, quando paramos para pensar nestas coisas, acabamos nutrindo a mesma desolação e agonia que Jesus nos ensinou que eram nocivas a nossa alma. Mas é impossível não reparar, principalmente quando estamos um pouco afastados do transloucado dia-a-dia dentro da congregação, a falta de lógica que esse afã por desempenho tem. Não faz sentido! A Graça é o presente que está diametralmente oposto a qualquer mérito e esforço humanos. Não é isso que todo o Novo Testamento insiste em dizer?



Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: "O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês". (Lc.17:20-21)

Não! O Reino de Deus não está no Vaticano, nem no Templo Maior, nem em qualquer show ou espetáculo pirotécnico com algum símbolo do peixe ou chama acesa. Isso ou aquilo são apenas símbolos, lembretes de que Ele está dentro de nós, dentro daquele que olha para si e vê o reinado de Deus em sua vida, daquele que entendeu que a busca não é esse comichão atrás de holofotes, mas uma entrega. Para buscar o Reino de Deus, por mais ilógico que aos nossos olhos possa parecer, é necessário parar de correr e se entregar.

busca = entrega = crença = confiança = fé.

Jesus nos ensinou a pensar. Talvez porque Ele sabia que viriam os falsos mestres a lecionar doutrinas opostas à simplicidade do Reino. Ao proferir Suas parábolas, Jesus nada mais estava fazendo do que nos ensinando a discernir através dos elementos cotidianos e minimalistas do mundo. Pois, já que estamos inseridos no mundo, por óbvio que vamos nos mover de acordo com o que vemos.


Ele prosseguiu dizendo: "O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra. Noite e dia, quer ele durma quer se levante, a semente germina e cresce, embora ele não saiba como.
A terra por si própria produz o grão: primeiro o talo, depois a espiga e, então, o grão cheio na espiga. Logo que o grão fica maduro, o homem lhe passa a foice, porque chegou a colheita".
Novamente ele disse: "Com que compararemos o Reino de Deus? Que parábola usaremos para descrevê-lo? É como um grão de mostarda, que, quando plantada, é a menor semente de todas.
No entanto, plantada, ela cresce e se torna a maior de todas as hortaliças, com ramos tão grandes que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra". (Mc. 4:26-32)

Que a nossa conduta mude, afinal. Que abandonemos essa correria inútil e desenfreada pela aprovação dos homens e passemos a andar no anonimato da obra. Que uma mão não saiba o que a outra fez, pois assim mesmo, em secreto, buscando dentro de nós mesmos a alegria do Senhor, genuinamente amando o amor de Deus é que viveremos a promessa de vida abundante.

Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. (Rm.14.17)
As rotineiras festas dentro do nosso clubinho seleto dos escolhidos não precisam terminar. Mas é necessário dizer que a verdadeira festa Papai preparou para aqueles que amam o Anfitrião e não a comilança. Está preparada para ser celebrada com um coração genuinamente puro e imune às circunstâncias da vida, que entendeu que sua única tarefa é a de repassar esse convite a todos os quais Ele nos enviar.

De nada adianta esse esforço só com o intuito de mostrar serviço ou espiritualidade. Jesus já condenou isso há milênios, quando os fariseus faziam o mesmo nas ruas para serem vistos. O que O Grande Eu Sou espera de nós está lá fora no mundo, de onde Ele quer que tragamos para as bodas, a tantos quantos nossa energia nos permitir.

Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, porque aos seus amados Ele o dá enquanto dormem. (Sl.127.2)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Estudo sobre a Figueira



(TRANSCRIÇÃO DE ESTUDO - AUTOR MENCIONADO NO FINAL)
 
"Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mt 24.32-35).

Além da oliveira, da videira e do espinheiro, a figueira é uma ilustração de Israel, do judaísmo. Essas quatro "árvores" são mencionadas em uma passagem de Juízes (9.8-15). Além delas, também a romã é uma representação do povo judeu. Certamente a passagem bíblica que exprime com maior precisão que a figueira é uma ilustração de Israel está em Oséias 9.10, onde Deus, o Senhor, diz: "Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como as primícias da figueira nova..." É o que também se vê claramente em Jeremias 24.3-7: "Então, me perguntou o Senhor: Que vês tu, Jeremias? Respondi: Figos; os figos muito bons e os muito ruins, que, de ruins que são, não se podem comer. A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Do modo por que vejo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá, que eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus. Porei sobre eles favoravelmente os olhos e os farei voltar para esta terra; edificá-los-ei e não os destruirei, plantá-los-ei e não os arrancarei. Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o Senhor; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração."

Além disso, a figueira contém um sentido profético muito profundo, o que se vê claramente nas palavras proféticas de Jesus quando fala da Sua vinda: "Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas" (Mt 24.32-33).

A seguir vamos analisar a figueira Israel à luz profética da Bíblia, perguntando-nos o que podemos aprender dela: "Aprendei, pois, a parábola da figueira..." Três simbolismos chamaram a minha atenção e quero compartilhá-los a seguir:

Primeira representação: a figueira como mestre que ensina o caminho certo, o caminho para a justiça verdadeira, legítima e permanente

Onde a figueira (Israel) aparece pela primeira vez na Bíblia?

Talvez alguns leitores dirão que encontramos em Gênesis 12 o chamamento de Abraão como primeiro hebreu, seguido pelo seu filho Isaque e pelo seu neto Jacó, cujo nome foi mudado por Deus para Israel em Gênesis 32.28: "Então disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste." É correto que o nome Israel aparece aqui pela primeira vez.
Mas eu creio que a figueira (Israel), na profundidade profética dos desígnios da salvação de Deus ("Aprendei, pois, a parábola da figueira..."), já aparece nas primeiras páginas da Bíblia, isto é, em Gênesis 3.7: "Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueiras e fizeram cintas para si." Segundo o meu entendimento, encontramos aqui a primeira menção de Israel como figueira na Bíblia, ou seja, o Israel da lei, que apenas pode cobrir o pecado.

Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden mencionada pelo nome. Para mim, a menção da figueira já nas primeiras páginas da Bíblia (ao lado de inúmeras outras árvores paradisíacas criadas por Deus, cujos nomes não são citados) é uma gloriosa figura da eleição de Israel: "...o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7.6).

Além da árvore da vida e da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.9), a figueira ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si") é a única árvore do jardim do Éden mencionada pelo nome.

Adão e Eva haviam pecado e, em consequência, reconheceram que estavam nus. Então eles apanharam folhas de figueira e cobriram sua nudez com essas folhas. Entretanto, assim eles somente puderam cobrir a sua culpa, mas não puderam obter o perdão do seu pecado. Para isso foi necessário um sacrifício de sangue: "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu" (Gn 3.21) Isso significa que Deus matou dois animais e, com sua pele, cobriu a nudez dos dois primeiros seres humanos. O sangue derramado nesse ato serviu para o perdão do pecado.

Portanto, já nas primeiras páginas da Bíblia é revelado profeticamente todo o Plano de Salvação. Ali ele ainda está envolto em mistério, mas no decorrer de outras revelações posteriores tornou-se cada vez mais nitidamente visível.

O que aprendemos disso?
1. As folhas da figueira apontam para uma outra salvação, que é melhor e mais perfeita

Em Hebreus 7.19 está escrito: ("...pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus." Mas quem é a esperança superior, acima da lei? O sacrifício providenciado por Deus em Jesus Cristo na cruz!

Segundo o meu entendimento, as cintas de folhas de figueira indicam a necessidade de uma vestimenta mais definitiva, que exigia um sacrifício com sangue, uma esperança superior. Depois que Adão e Eva pecaram, imediatamente souberam que estavam nus e que deviam cobrir-se: "...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si." Mas isso não foi suficiente diante do Deus santo. Por isso, cheio de misericórdia, Ele matou dois animais e "fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu."
Exatamente este é o sentido e a finalidade de Israel no Plano de Salvação. A figueira Israel, do começo até o fim, aponta para a salvação superior em Jesus Cristo, o Grande Sacrifício da Justiça de Deus. Em Israel nos foi dada a lei. Mas por meio dela reconhecemos que somos pecadores e carecemos da graça de Deus. Outrora Adão e Eva tomaram as folhas da figueira, mas perceberam que essas cintas feitas por eles mesmos não podiam salvá-los do pecado que haviam cometido e que necessitavam de outra salvação.

Quase toda a Epístola aos Hebreus mostra que o antigo Israel, em todos os seus procedimentos, é uma indicação para Cristo; que todos os seus sacrifícios apontam para o perfeito sacrifício de Jesus na cruz, e que o sumo sacerdote judeu da Antiga Aliança é uma referência ao Sumo Sacerdote verdadeiro, definitivo e eterno: Jesus Cristo.

A figueira Israel, do começo até o fim, aponta para a salvação superior em Jesus Cristo, o Grande Sacrifício da Justiça de Deus.

Israel sob a lei aponta para a graça (Gl 3.24). Em Israel, sob a lei, os pecados puderam ser apenas cobertos (folhas de figueira). Mas pelo sacrifício de Jesus, com sangue – que maravilhosa boa nova de salvação!! – os pecados são perdoados e tirados. A respeito lemos em Hebreus 9.26: "...Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado."

2. Pelas folhas da figueira vemos que as obras da lei não podem produzir a justiça que vale diante de Deus

Em nenhum lugar isso é demonstrado mais claramente do que na figueira Israel. Em todo o decurso da história desse povo, Deus mostrou a todo o mundo que a lei não pode salvar.

Mas justamente este é o grande problema de Israel até hoje, pois eles continuam pensando que podem ser salvos pelas obras da lei. A Bíblia, porém, ensina inequivocamente: "...por obras da lei, ninguém será justificado" (Gl 2.16). Em Gálatas 3.10 isso é expresso de maneira ainda mais precisa: "Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo da maldição..." O apóstolo Paulo dirigiu essas palavras profundamente sérias em primeiro lugar aos crentes na Galácia, que além da graça em Jesus Cristo ainda queriam assumir as leis do judaísmo. Como Adão e Eva ("...coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si)", hoje muitos procuram alcançar o favor de Deus pela observância da lei ou de exercícios religiosos. Conheci, por exemplo, um homem que antes de se converter a Jesus orava o "Pai Nosso" 150 vezes por dia. Todos que fazem tais coisas se esforçam em vão, pois assim estão realmente "...debaixo da maldição". Diante disso, como soa maravilhosa a mensagem do sacrifício de Jesus na cruz: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito (Dt 21.23): maldito todo aquele que for pendurado em madeiro" (Gl 3.13) – "fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu." Ele realizou uma salvação superior!

Hans Brandenburg disse certa vez:

O legalismo é o equívoco de trocar o diagnóstico pela terapia... Legalismo sempre é algo pela metade. Em geral o homem escolhe um ponto especial que está disposto a observar e guardar, e então se apoia na pressuposta observância dessa lei e negligencia a comunhão com Jesus.

Exatamente assim também Paulo se expressa quando fala da figueira Israel: "Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus" (Rm 10.3-4).

Qual é a sua situação? Você já aceitou a graça? No fundo, é tudo tão simples: basta ir ao Senhor Jesus Cristo e Lhe entregar toda a nossa vida. Na verdade, este já é o passo do arrependimento, quando reconhecemos: "Eu sou um grande pecador". É impossível mencionar todos os pecados que cometemos em pensamentos, palavras e ações durante nossa vida. Por isso, venha a Jesus Cristo com toda a sua vida e diga a Ele: "Eu sou um grande pecador. Senhor, eu preciso de Ti para toda a minha vida – para tudo que houve, para tudo que é, e para tudo que virá. Eu te aceito agora como meu Salvador". Então você experimentará repentinamente o que é salvação verdadeira – pois esta é a justiça em Jesus, a justiça que tem valor diante de Deus!

Já nas primeiras páginas da Bíblia a figueira nos é mostrada como uma ilustração de Israel, como um livro didático de Deus ensinando sobre a salvação verdadeira. Assim como as folhas de figueira de Adão e Eva indicavam o anseio de salvação – e mais além o sacrifício pleno e suficiente de Jesus Cristo –, Israel nos é dado como um exemplo que aponta para a graça redentora. Por meio deste povo nos é mostrado claramente o anseio por salvação e a satisfação desse anseio em Jesus Cristo.


Segunda representação: a figueira como mestre que ensina sobre a salvação

Já nas primeiras páginas da Bíblia a figueira nos é mostrada como uma ilustração de Israel, como um livro didático de Deus ensinando sobre a salvação verdadeira.

Em 2 Reis 20.5-7 o Senhor diz ao Seu profeta Isaías: "Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde."

O que aprendemos disso?
1. A figueira Israel existe para salvação

Israel é como uma pasta de figos, como remédio para a humanidade, para todas as nações. Mas não é em si mesmo que este povo é salvação e bênção sobre a terra. Israel só pode ser uma ajuda para um mundo enfermo por causa dAquele que vem de Israel e se tornou o sacrifício para o mundo: Jesus Cristo. Este já foi o desígnio de salvação de Deus com Abraão, quando falou ao patriarca de Israel: "...em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gn 12.3b). Jesus é o Salvador do mundo, mas foi o judaísmo que o trouxe ao mundo. Essa é a única razão de ser do povo judeu, do qual o Eterno de Israel fez vir Seu Filho Jesus Cristo para salvação do mundo inteiro!

Os botânicos descrevem a figueira da seguinte maneira:

– "Tem tronco retorcido com casca clara". Em si mesmo, Israel é torto e rebelde, mas resplandece por meio de Jesus Cristo. Tive que pensar em Moisés, que em si mesmo também era "torto". Mas quando retornava do encontro com Deus, "a pele do seu rosto resplandecia" (Êx 34.29).

– "A ramada se estende em todas as direções e tem folhas com cinco pontas". Israel se tornou salvação para todos os povos. O Evangelho foi anunciado primeiramente em Jerusalém, Samaria e Judéia, mas depois, partindo de Israel (figueira), – para todas as direções, para todos os povos. Folhas com cinco pontas: cinco é o número da graça. Uma pasta de figos foi colocada sobre a parte enferma do corpo de Ezequias e ele foi curado. Jesus teve cinco ferimentos que se tornaram a salvação do mundo.

Em Isaías 49.3 está escrito: "...e me disse: Tu és o meu servo, és Israel, por quem hei de ser glorificado" (Is 49.3). Aqui vemos a identificação de Israel com seu Filho maior, Jesus Cristo. A figueira Israel, em conexão com Jesus, o Messias, tornou-se a salvação para o mundo. Por isso está escrito mais adiante: "Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra" (Is 49.6). Aqui a Palavra de Deus não se refere mais a Israel propriamente, mas Àquele que viria de Israel, a Jesus Cristo: "...pouco é o seres o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel..." Pois Israel não poderia restaurar a si mesmo, nem poderia tornar a trazer os remanescentes de si mesmo. E como a figueira Israel em si mesma é torta, resplandecendo somente em seu Messias, assim também é evidente que as palavras seguintes se referem ao Filho maior de Israel: "...também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra". Por isso Jesus disse em João 4.22b: "...a salvação vem dos judeus."

2. Profeticamente parece que já se delineia também a futura salvação de Israel – seu próprio restabelecimento se avizinha

Voltemos novamente para o rei Ezequias, que já estava diante da morte, mas em lágrimas implorou a cura ao Senhor. Deus ouviu sua oração e ordenou a Isaías: "Volta, e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde" (2 Rs 20.5-7).

Assim como Ezequias, também Israel ainda terá que enfrentar angústia mortal. Pois no tempo da Grande Tribulação todas as nações da terra se voltarão contra Israel e se reunirão em Armagedom para destruí-lo totalmente. Mas então esse povo, em agonia, como Ezequias outrora, clamará ao Senhor com suas últimas forças: "Deus de Abraão, Isaque e Jacó! Nosso Messias, vem e salva-nos dos nossos inimigos!" Ele ouvirá Seu povo e o salvará – Israel poderá ir ao templo novamente (pois Jesus levantará o templo do Milênio) – Ele derrotará os inimigos de Israel e protegerá a cidade de Jerusalém.

A história de Ezequias se encaixa no contexto das afirmações de Deus sobre o futuro de Israel e da vinda de Jesus. Assim talvez já possamos ver, na pasta de figos, por meio da qual a saúde de Ezequias foi restabelecida, um paralelo da figueira restabelecida em Mateus 24: "Aprendei, pois, a parábola da figueira..." E a declaração: "...no terceiro dia subirás à casa do Senhor", é no mínimo interessante. Pedro disse: "Há, todavia, uma cousa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2 Pe 3.8). Desde a primeira vinda de Jesus a Belém já se passaram quase dois mil anos (dois dias divinos). Não é em vão que após 1948 anos Deus fez de Israel novamente um povo na Terra Prometida, e no ano de 1967 lhe devolveu a cidade de Jerusalém. Será que Israel subirá novamente à casa do Senhor no "terceiro dia"? Não sabemos o momento exato da vinda de Jesus para a Sua Igreja, nem o dia da Sua volta para Seu povo Israel. Mas vemos e presenciamos em nossos dias a restauração da figueira: Israel é conduzido em direção à sua cura. E nosso Senhor prometeu expressamente: "Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mt 24.34-35).

Terceira representação: a figueira como mestre que ensina sobre os desígnios proféticos da salvação de Deus

Em Lucas 17.5-6 lemos: "Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé. Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá."

É preciso esclarecer que, conforme diversos autores, a árvore aqui chamada de amoreira é, na verdade, o sicômoro, a figueira brava, a mesma árvore em que Zaqueu subiu para ver Jesus (Lucas 19). Um dicionário da Bíblia diz a respeito: "O sicômoro pode atingir até 16 metros de altura e alcança uma circunferência de até 10 metros. A madeira é dura, uniforme e muito durável e, depois do cedro, é a melhor madeira para carpintaria."
 
Certa vez o Senhor Jesus apontou para esse fato ao dizer: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos" (Mt 21.43).

O Senhor Jesus apontou para uma árvore tão grande e disse aos seus apóstolos, que eram judeus: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá." Certamente podemos dizer que, no sentido profético, isso se cumpriu exatamente. Foi o que realmente aconteceu com a figueira Israel, que no tempo de Jesus havia se tornado um povo orgulhoso. Os israelitas foram desarraigados da sua pátria judaica e lançados no mar das nações. Este foi um desígnio de salvação de Deus e tornou-se uma bênção para os povos. Por meio da fé dos apóstolos, que eram judeus, descendendo eles mesmos da figueira, o Evangelho foi levado aos gentios.

A Bíblia fala em Atos 13.46-47 sobre essa transferência do Evangelho de Israel para as nações: "Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo determinou (Is 49.6): Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra." Ao desarraigamento espiritual de Israel seguiu-se, então, também o desarraigamento como nação: no ano 70 d.C. os judeus foram arrancados de sua terra e espalhados por todo o mundo.

Os apóstolos tiveram a fé para transplantar a bênção de Israel para o mar das nações. O Messias deles nos foi trazido como o Cristo. Certa vez o Senhor Jesus apontou para esse fato ao dizer: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos" (Mt 21.43).

O que parecia juízo – e, com certas reservas, também o foi – tornou-se uma bênção para os gentios. Paulo fala a respeito em suas palavras aos judeus, e assim explica que, de acordo com Isaías 49.6, isso foi necessário para se tornar salvação e luz para todos os gentios. Enquanto o sicômoro foi transplantado ao mar das nações, nós nos tornamos participantes da "bênção e seiva salvadora" da figueira. A esse respeito Paulo diz em Romanos 11.11: "Porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum; mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios..."
 
Mas Israel não continuará para sempre com suas raízes arrancadas. A palavra profética da Bíblia promete à figueira seu restabelecimento na terra dos pais – o que acontece desde 1948 e continuará acontecendo –, com o que também a bênção volta para a terra e para o povo de Israel.

Mas Israel não continuará para sempre com suas raízes arrancadas. A palavra profética da Bíblia promete à figueira seu restabelecimento na terra dos pais – o que acontece desde 1948 e continuará acontecendo –, com o que também a bênção volta para a terra e para o povo de Israel. A figueira novamente lançará raízes e trará frutos. Por isso Paulo continua dizendo: "Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!" (v. 12). Esse novo arraigamento da figueira Israel na sua terra para restauração espiritual e nacional também é salientado em Romanos 9.26: "e no lugar em que se lhes disse: Vós sois o meu povo; ali mesmo são chamados filhos do Deus vivo." De que lugar se fala aqui? Da terra de Israel!

Assim, finalmente tudo converge na gloriosa promessa de Miquéias 4.4: "Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse" (compare também Ageu 2.19). O sentar-se debaixo da videira e da figueira é uma maravilhosa imagem de uma vida em paz assegurada. Agora ainda não é assim, mas Israel será levado a isso – no Milênio de Jesus Cristo. Já o reinado de Salomão apontou para o Milênio, onde um dia reinará paz: "Judá e Israel habitavam confiados, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão" (1 Rs 4.25). Isso se cumprirá de maneira completa quando Jesus Cristo voltar ao Seu povo como o Messias de Israel. Por isso oramos: "Maranata – vem Senhor Jesus!" (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

A Figueira Seca - A Figueira Estéril

O episódio da figueira estéril que ficou totalmente seca, aconteceu após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

Em Marcos 11:12-24 vemos que Jesus voltou para Betânia. Na segunda-feira de manhã, o Mestre retorna com seus discípulos a Jerusalém.

Jesus vinha de um dia de intenso gasto de energias, a sua entrada em Jerusalém havia causado muita repercussão. Depois do cansaço e das emoções do dia anterior, no caminho de volta a cidade santa, o Mestre teve fome.

E à beira do caminho, a uma certa distância, uma figueira coberta de folhagens, de forma precoce, pois era primavera, chamava a atenção de Jesus. E o Mestre se aproxima desta figueira para ver se acharia algum figo e se alimentar, mas encontra somente folhas.

"E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome." Marcos 11:12
E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos." Marcos 11:13

Naturalmente, a figueira apresenta seus frutos bem antes de se cobrir de folhas. E em Jerusalém, os primeiros figos, também chamados de bêberas, só amadurecem após o mês de junho. E os figos de verão não amadurecem antes de agosto. Por isso Marcos afirma que não era tempo de colher figos.
Porém a folhagem exuberante que a figueira estéril apresentava, poderia ser um sinal de que a árvore estava em terra muito fértil, e de alguma forma pudesse ter já alguns frutos maduros.
Mas era pura aparência, a figueira estéril não possuía fruto algum.

A Figueira Seca Tinha Apenas Aparência

A figueira estéril tinha toda a aparência de uma árvore frutífera. Suas folhagens atraíam os desavisados, praticando assim um tipo de "farisaísmo vegetal". Tinha aparência de ter, mas não tinha. Parecia ser, mas não era.

E enganava, iludia, passava por algo que não era, que não possuía. O exterior estava lindo, cheia de folhas verdinhas, enquanto que as outras árvores, devido a estação do ano, estavam todas peladas, sem folhas alguma.

E Jesus agindo como se a figueira fosse um ser dotado de inteligência e vontade próprias, profere contra ela uma grave sentença:

"E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto." Marcos 11:14

Interessante que o Mestre, contra as outras figueiras, que estavam sem folhas e sem frutos, de nada reclama. As outras figueiras estavam sem frutos, porém apresentavam sua imagem verdadeira, sem querer se passar por algo que não eram. Estavam sem folhagens; quem as vissem saberiam que não encontrariam figos nelas.
Afinal, não era tempo de figos, não havia nada de errado em não apresentar frutos, pois não estava na época certa.

Por Não Apresentar Frutos, A Figueira Estéril Ficou Seca Até As Raízes. 

E no dia seguinte, na terça-feira os discípulos notam que a figueira estéril tinha se tornado em figueira seca, desde as suas raízes.

"E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes." Marcos 11:20
"E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou." Marcos 11:21
E esta maldição contra a figueira seca, sem dúvida tem uma simbologia semelhante a de uma parábola. A nação judaica apesar de contar com tantos favores divinos através dos séculos, tantos milagres e livramentos.

Apresentava sob sua cultura, uma aparência religiosa e superficial, mas infelizmente, desprovida de frutos de arrependimento. E Jesus, o supremo agricultor anuncia que usará o machado para cortá-la.
Não adianta parecer santo, como os fariseus e os religiosos de Israel faziam. Eles queriam ser vistos pelos homens como melhores, mais justos, mais adoradores, que oravam mais, que jejuavam mais, que se sacrificavam mais.

Até suas vestes eram "melhores", só andavam em companhia dos "mais santos". Viviam em busca da aparência, do louvor dos homens; suas folhagens estavam "verdinhas", muito exuberantes.
Mas neles nunca se encontravam os frutos do amor, do perdão e da misericórdia. Só acreditavam em sacrifícios e punições.

O que no final, terminava tudo no "EU". "Eu" jejuei; "Eu" orei; "Eu" sacrifiquei; "Eu" sou santo, então "Eu mereço".

Por não reconhecerem seus pecados, o fruto do arrependimento, estavam sendo rejeitados por Deus. Por que as obras tem que ser feitas em amor.

Fruto Certo no Tempo Certo

Ninguém pode enganar a Deus. O homem é que se engana a si mesmo. Deus conhece o coração humano, Ele sabe das suas intenções. Não se pode viver de aparências. Temos que "ser" em essência.

Para tudo há um tempo determinado. O erro da figueira seca, não foi estar desprovida de frutos, pois não era tempo de dar frutos naquele momento. Mas o problema foi querer ser mais, ou parecer ser mais do que as outras figueiras, sem ser.

Somos todos filhos do nosso Pai celeste, somos iguais. E se nos submetermos em amor às águas do Espírito Santo, em igualdade, em irmandade, Ele o nosso agricultor, cuidará de nós, para que no tempo certo, apresentemos nossos frutos de amor.

No tempo certo, de tempos em tempos, frutificai.
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." Gálatas 5:22

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A autoajuda que vem do Céu

"Examine, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem." (1Co.11:28-30)

Pare um momento e se olhe no espelho. Faça uma autoanálise e perceba para onde seus atos e pensamentos estão te guiando. Muitas vezes vamos nos ver diante de uma situação em que devemos apelar para o bom senso (aquela faculdade de discernir entre verdadeiro e falso). Inúmeras vezes nós já aplicamos nossa razão para julgar um caminho a ser seguido e isso certamente nos trouxe algum tipo de consequência. Se não somos marionetes nas mãos de um operador, significa que temos o poder de decisão. Mas esse livre arbítrio é perigoso e, de tempos em tempos, o homem deve parar para refletir se o que faz, o faz baseado em seu impulso animal ou porque é dotado da capacidade de aprender a ser melhor a cada tentativa.

Cuidado com os conselhos! As pessoas vão te mandar seguir o coração (aquele lado emocional formatado por este mundo e que está sempre tentando trazer satisfação), só que o coração é cheio de promessas de contentamento e ideais egoístas. Segui-lo, então, deixa de ser uma alternativa sábia. Em todas as situações, portanto, pensemos em primeiro lugar se a paz de Cristo está sendo determinante em nossas decisões e atitudes.

Assim como no Direito, onde toda lei tem um espírito (finalidade), na Lei do Amor nada foi estabelecido por um capricho divino, onde a criatura obedece sem conhecer a motivação do Criador. Absolutamente, não! E é por isso, fundamentalmente isso, que o homem tem sede de Deus. Por causa desse grande mistério chamado vida, no qual estamos fincados. Entretanto, não é por causa dessa regalia toda de ser adotado e de poder contar com o favor do Pai, que o indivíduo tem a garantia de passar batido ao erro. Também não! O pecado, como acidente de percurso, sempre será perdoado mediante o arrependimento genuíno. Já o pecado deliberado, ou seja, consciente e planejado, como quem crê num anonimato improvável ou aposta numa mão salvadora no final, independente das advertências, não raramente acompanhado de uma capa de pureza e insistentemente crido como impune, a este foi dado o nome de hipocrisia. Para este miserável pecador, só mesmo um choque de ordem celestial, regado ao Sangue de Jesus para purificá-lo de toda a injustiça. Graças a Deus, nosso Pai, que enviou Seu Filho Amado, em quem temos a redenção dos pecados (TODOS OS PECADOS). Sem Ele já teríamos sido extintos desse mundo hostil, banidos à própria sorte, largados num vale de ossos secos.

Feliz Natal

sábado, 27 de julho de 2013

O Cristo é Pop

Sim, ele chegou. Arrastou multidões, promoveu a idolatria, deixou sua mensagem. Era preciso, afinal de contas, já faz um tempo que as ideias que ele defende estavam caindo no esquecimento de muitos.

Mas aí veio o grande e épico momento: a encenação! Quase perfeita. Levaram a cruz, mas se esqueceram do Crucificado. Ele morreu, disseram, mas no final, não houve tempo para ressuscitá-Lo... não... tinha uma senhora.

Ele chegou, discursou de acordo com o script previamente estudado. Comoveu a todos os que estavam atentos. Todos buscam a verdade, mas a verdade não foi contada de um todo. Sempre há um contexto fora do texto. Não gostam do livro...

Ele está aí, agradando a maioria, levando aos prantos aqueles que nunca adoram. Todos gostam dele, ele é um sucesso!

Ele se vai amanhã... o que ficará? Levará consigo a fé dos romeiros? Mudará o rumo da história? Criará um novo e vivo caminho? Sabemos que não.

Não se engane. Tocar no homem é mais fácil do que atingir o Deus. O toque divino exige mudanças, transformações, meias-voltas. É necessário um auto-exame e um recomeço constante para não errar o alvo. Deus é exclusivista e tem ciúmes. Gosta dos que andam em sinceridade de coração e que amam tudo aquilo que Ele ama.

Quando Ele voltar (e não tarda), não precisará de helicópteros, nem carros, nem ensaios. Virá anunciado por trombetas, rasgará o céu de um lado a outro e julgará toda obra do homem.

Oro sinceramente para que os jovens, quando se decepcionarem com o dia de amanhã (e é certo que irão) e não tiverem mais seu pop star desfilando pelas ruas, não desistam de buscar. Antes, porém, que busquem a Quem de direito merece toda devoção, toda adoração, todo esforço de deslocamento. Que os jovens desse mundão se arrependam e mudem suas mentes. Que finalmente entendam que só há um caminho, uma verdade e uma vida, e esse é Jesus.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O agir da espera


“Esperei com paciência no Senhor, e Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor. Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR. ” (Sl. 40:1-3)

Onde estaria Davi quando compôs este salmo? Onde (ou o que) seria esse charco de lodo, esse lago horrível? Que situação extrema poderia ser chamada dessa forma na vida de um homem? Sempre que leio essa passagem, fico tentando encaixar a minha realidade (com suas mazelas e lutas) nesse tal lago tenebroso que o salmista ilustra.

Creio, irrefutavelmente, que Deus é poderoso para nos tirar de qualquer situação difícil. Aliás, acho que poucos duvidam disso. A questão aqui não é a capacidade de Deus agir em nosso favor, nem tampouco a natureza podre e aparentemente sem solução da circunstância que nos cerca. A chave do sucesso, que nos eleva à condição de firmar nossos pés sobre a rocha, é a nossa disposição para esperar. Não como quem não faz nada e simplesmente cruza os braços sem esboçar nenhuma atitude. Mas como quem sabe em quem confia, como quem luta por algo, como quem quer verdadeiramente alcançar sua promessa.

O dicionário Houaiss traz algumas explanações sobre o verbo esperar: ter esperança, contar com, confiar em, não agir, não tomar decisões, não desistir de algo, não ir embora...

Será que diante de uma situação de calamidade nós sabemos esperar pela providência divina? Quanto tempo estamos dispostos a, pacientemente, aguardar que Deus decida nos ajudar? Podemos garantir que não iremos tentar contornar o obstáculo com nossos próprios recursos? O que dizer da nossa lei das compensações, através da qual nos julgamos merecedores de certos prazeres momentâneos que aplaquem nossa ansiedade? Temos fé suficiente para louvarmos o nome de Jesus sem nem ao menos vislumbrar uma pequena nuvem?

A carta de Paulo aos romanos, em seu capítulo 5:3-5 diz: “... gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta...”

A palavra tribulação, traduzida do grego thlipsis, é a mesma que Jesus profere em Jo. 16:33b: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”

Segundo a concordância bíblica de Strong, a palavra thlipsis pode denotar, entre outras coisas: tribulação, aflição, opressão, perigo, sofrimento, agonia, problema financeiro, necessidade, apuro, dilema, perseguição.

Ora, a tribulação a que Paulo se refere pode muito bem ser vista como famoso lago horrível de Davi. Um lugar de opressão, apuro, sofrimento. Uma situação limite da qual o homem sozinho não consegue se livrar. Um lugar onde se tem apenas duas alternativas: se debater em meio ao pânico ou esperar por socorro. Sendo assim, seguindo a ordem do apóstolo, percebemos que as aflições da vida nos levam à perseverança, que por sua vez nos tornam experientes, culminando com um coração esperançoso. Esperança esta que não desaponta. Logo, é dentro do lago que aprendemos a esperar.

Se formos parar para pensar, vamos ver que o oposto da espera, isto é, tudo aquilo que nos afasta da realização de algo que se quer ou precisa, tudo que nos tira a confiança, tudo que nos rouba a expectativa, nos prende ao lamaçal da alma. O oposto da espera é o desespero. Quem não espera, se desespera. Mata a esperança, mata a confiança, desanima, perde a fé e se entrega à aflição. Quanto mais nos debatemos em desespero, mais nos afundamos na areia movediça.

Jesus já nos disse que em nossas vidas teríamos thlipsis, ou seja, nos desesperaríamos. Talvez até pensássemos que não tinha mais jeito. Que era para ser assim, pois nascemos para viver desta forma, sujos de lodo, mudos para o louvor de Deus, irrecuperáveis diante o dia mau. Mas o Mestre nos ensina que devemos encontrar bom ânimo e esperarmos Nele. Ele venceu o mundo. Ele é vitorioso. Ele é merecedor e capaz de nos içar do fundo do poço, donde só Deus é capaz de ouvir nosso clamor. Lá dentro, no escuro da tristeza, devemos continuar acreditando na promessa do Pai: “Eu é que sei que pensamentos que tenho a vosso respeito. Pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”.

A espera pelo milagre passa pela atitude de crer. Crer é agir, é não desistir, é ter por certo algo que não se vê mesmo sob circunstância desfavorável. Como quem se atola num lamaçal de problemas, mas que não se entrega nem se debate. Antes, porém, toma a decisão de invocar a providência que vem do alto e aguardar seguro sobre a rocha da fé.

Paz